PEP – Prevenção após a relação desprotegida

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Não é raro pessoas procurarem atenção médica por causa da ruptura de preservativo durante relação sexual com pessoas desconhecidas. Às vezes, em razão do momento, algumas pessoas sequer usam o preservativo, por não dispor dele naquela hora, por estar alcoolizado ou por incomodar alguns dos parceiros. Meus pacientes tem relatado que mesmo pessoas instruídas tem se recusado usar o preservativo.

Quando a pessoa exposta já tem parceiro (a) fixo(a) e, diante da impossibilidade de falar a verdade em um momento tão delicado, é frequente inventarem desculpas para evitar relações com a parceira ou o parceiro.

Situações como essas são muito frequentes, mas felizmente a transmissão em uma única relação não é tão comum, por uma série de razões que vou sintetizar a seguir:

  • Em primeiro lugar, para que haja a transmissão, a pessoa desconhecida teve ser portadora de uma doença sexualmente transmissível (DST). Diante de uma situação como esta, existe a tendência de considerarmos todos como potenciais transmissores, mas se avaliarmos o risco de maneira objetiva, as DST não estão presentes em todas as pessoas sexualmente ativas. Estima-se que a cada 200 brasileiros, um seja portador do HIV.
  • Considerando que a pessoa seja de fato infectada, ainda há a possibilidade de haver uma infecção controlada por meio de medicamentos ou pelo próprio sistema imune, o que acarreta em menor risco de transmissão.
  • A presença de úlceras na região genital, doenças pré-existentes, calendário vacinal desatualizado, ausência de cirurgia prévia de circuncisão (fimose) etc podem influenciar negativamente no risco de infecção.
  • Por último, o tipo de relação, o tempo sem o uso de preservativo além da frequência das relações também são fatores importantes.

Condutas utilizando medicamentos ou imunobiológicos após a exposição são genericamente denominadas profilaxia. A indicação de profilaxia deve ser personalizada e depende do grau de exposição, tempo após o contágio, tolerância a medicamentos, alergias etc. Doenças comuns como clamídia, sífilis, cancro mole, hepatite B e mesmo o HIV são passíveis de profilaxia, quando indicados no momento adequado.

 

Profilaxia pós–exposição do HIV (PEP)

A indicação de PEP requer a avaliação do risco da exposição e o tempo transcorrido entre a exposição e o atendimento. No cenário ideal, testar o parceiro eventual seria ótimo, pois pode poupar a pessoa exposta de vários transtornos, como exames e uso de medicamentos, mas quase nunca isso é possível.

O primeiro atendimento após a exposição ao HIV é uma urgência médica. A PEP deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 2 horas após a exposição, tendo como limite as 72 horas subsequentes à exposição. A redução do risco de transmissão pode ser superior a 80%, quando feita no momento certo.

Atualmente, o esquema antirretroviral indicado para a PEP é o seguinte:

Tenofovir 300 mg + Lamivudina 300 mg: 1 comprimido 24/24h

Atazanavir 300 mg: 1 cápsula 24/24h

Ritonavir 100 mg: 1 comprimido 24/24h

A duração da PEP é de 28 dias.

O efeito colateral mais comum é a icterícia (coloração amarelada da pele e das mucosas), simulando uma hepatite,  mas que raramente leva à suspensão do tratamento, por ser benigno e reversível.

As unidades que realizam a consulta de urgência e a dispensação dos medicamentos geralmente são as UPAs, mas nem todas são habilitadas a realizar esse atendimento.  Veja no  link http://www.aids.gov.br/o_que_e_pep

Em Belo Horizonte, os ambulatórios especializados em DST, chamados SAE, realizam o atendimento de 7:00 às 18:00h, ficando as UPA encarregadas de atender nos outros horários, finais de semana e feriados.

Os SAEs de Belo Horizonte para este atendimento são:

• SAE CTA Sagrada Família – SMSA-BH Rua Joaquim Felício, 141. Bairro Sagrada Família. Tel: 3277-5751;

• SAE CTR-DIP Orestes Diniz – SMSA-BH/UFMG Alameda Álvaro Celso, 241. Bairro Santa Efigênia. Tel: 3277-4341 ou 3409-9547;

• URS Centro-Sul – SMSA-BH Rua Paraíba, 890. Bairro Funcionários. Tel: 3277-9528; • SAE Hospital Eduardo de Menezes/FHEMIG Rua Dr. Cristiano Rezende, 2213. Bairro Bonsucesso. Tel: 3328-5056/5055.

O acompanhamento deve ser feito preferencialmente por médico infectologista, que vai solicitar exames e apenas com os testes negativos 90 dias após o contato desprotegido, poderá encerrar o acompanhamento.

Observo que alguns pacientes desenvolvem traços de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) após a exposição ao HIV, com pensamentos fixos sobre a contaminação, procura incessante de sintomas, realização de diversos exames e consultas médicas. Nesses casos, busco apoio de um terapeuta para a condução do caso. http://www.dreamstime.com/-image17641325