Sífilis

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Uma doença milenar, com sintomas diversos (ou nenhum) voltou a incomodar Embora não haja estatísticas sobre a ocorrência de novos casos de sífilis, os profissionais de saúde relatam que a freqüência desta doença tem aumentado nas clínicas privadas e postos de saúde, o que acende o sinal vermelho para a saúde pública. Embora a doença não apresente sintomas na maioria das vezes, a gestante pode transmiti-la ao feto, causando graves más-formações.  Quando há manifestações clínicas, essas são normalmente leves e semelhantes a outras doenças.

Cancro duro Este termo é descreve a primeira lesão que surge após o contato com a bactéria causadora da sífilis (Treponema pallidum). A infecção se dá por via sexual sem proteção. A lesão apresenta as seguintes características: ferida,  geralmente única, limpa, indolor e que melhora sem medicamentos.  Às vezes, há ínguas na virilha, indicando uma reação imunológica à bactéria. Em muitos homens a lesão passa despercebida.

Nas mulheres, dificilmente percebemos lesão, mas, quando presente, podem ser vistas nos grandes lábios e colo do útero.

Como a lesão genital ocorre no início da infecção, chamamos a de sífilis primária.

Nesta fase, a lesão pode ser confundida com outras doenças que causam úlceras genitais, como herpes, cancro mole, donovase, leishmaniose tegumentar e até mesmo câncer.

Quando o contágio de dá por via oral, o paciente pode apresentar ulcerações dolorosas múltiplas no palato (céu da boca), língua, lábios etc. Estas lesões tendem a se tornar prolongadas, às vezes persistindo por mais de um ano.

Como a lesão inicial cura-se sozinha, qualquer medicamento que o paciente tenha usado “leva a fama” da cura, mas a doença não foi curada, podendo evoluir dentro de algumas semanas para a próxima fase ou ficar latente (sem sintomas aparentes, mas ainda ativa).

E depois… Após a fase inicial, o paciente pode apresentar manchas acastanhadas ou avermelhadas em todo o corpo, podendo envolver até as palmas da mão e na planta dos pés. Nesta fase, conhecida como sífilis secundária, pode-se perceber ínguas em todo o corpo. O quadro clínico é pouco específico e pode ser confundido com várias doenças, como alergias, dengue, doenças exantemáticas etc.

Estas alterações, se não tratadas, também podem desaparecer sozinhas, o que dificulta o diagnóstico.

Mais tardiamente, após alguns anos, o paciente não tratado pode apresentar enfraquecimento da parede das artérias, podendo complicar com aneurisma na aorta ou problemas no sistema nervoso, que podem causar encefalites, paralisias e até mesmo demência.

Exames complementares A análise de fluido retirado da úlcera genital pelo microscópio pode revelar o Treponema pallidum, mas quase nunca conseguimos identificar os pacientes neste momento.

Portanto, fazemos o diagnóstico basicamente por métodos sorológicos, ou seja, através de dosagem de anticorpos contra o agente causador. Como nosso organismo apenas produzir anticorpos mensuráveis algumas semanas após a infecção, é comum termos o cancro duro e testes falso negativos. Nesses casos, novos exames devem ser realizados posteriormentem para confirmação da suspeita clínica.

O exame mais importante chama-se VDRL, que permite tanto o diagnóstico como o acompanhamento, já que tende a tornar-se negativo após o tratamento adequado.  Como este exame não é muito específico (ou seja, pode ser positivo em outras doenças), recomenda-se fazê-lo junto a outros, como ELISA, eletroquimioluminescência e FTA-Abs, principalmente nos casos sem sintomas.

Sífilis na gestante As gestantes devem realizar exames para a detecção de sífilis, mesmo quando não apresentam sintomas. Exames negativos feitos anteriormente não dispensam novos exames. A importância de testar as gestantes justifica-se pela facilidade de tratamento e pela gravidade da sífilis congênita, prevenindo assim abortos espontâneos ou seqüelas nos recém-nascidos.

Prevenção e tratamento O tratamento ainda é baseado em penicilina injetável, já que a taxa de sucesso é bastante elevada. Devem-se considerar medicamentos alternativos em pessoas alérgicas (mas infelizmente são todos piores que a penicilina). Normalmente, investigamos e tratamos o(a) parceiro(a) para evitar a recontaminação, muitas vezes antes mesmo de testá-lo(a).

O que mais me impressiona é o fato de tão poucas pessoas sejam testadas para as DST nos exames de rotina, incluindo ai a sífilis. Insisto que todas as pessoas sexualmente ativas devem fazer ao menos um exame para DST, que pode estar junto a outros exames laboratoriais de rotina (como hemograma, colesterol, etc). Peça para seu médico incluir exames de HIV, hepatites B e C, sífilis,  clamídia e gonococo (esses últimos na urina), porque na maioria das vezes essas infecções não causam sintomas, são tratáveis e podem ter consequências dramáticas.

 

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