Leishmanioses

leish

A doença causada por espécies do protozoário Leishmania é denominada leishmaniose humana.  A transmissão deste agente ocorre pela picada de insetos vetores chamados genericamente flebotomíneos, amplamente distribuídos no território nacional. Este inseto tem grande capacidade de se adaptar às cidades, principalmente em locais ricos em matéria orgânica (lixo, madeiras, fezes, materiais em decomposição, etc). Diferente no Aedes Aegypti, os flebótomos não se multiplicam em água parada e são bem menores, de coloração escura.

Conforme a espécie, o paciente pode apresentar dois quadros clínicos bem distintos. A leishmaniose tegumentar é atribuída às espécies que preferem a pele. As lesões geralmente se iniciam como pontos avermelhados, que se transformam em um ponto de pus semelhante a uma foliculite, aumentam de tamanho e tornam-se úlceras (feridas profundas com fundo granuloso). Dor nem sempre ocorre, o que contrasta com o tamanho da lesão. Em alguns casos, meses ou anos após a infecção, podem surgir lesões na mucosa nasal (membrana que reveste internamente o nariz), principalmente em casos não tratados.

A leishmaniose visceral é doença mais grave, causada por espécies de Leishmania por predileção ao fígado, baço e medula óssea, sem afetar a pele. Após a infecção, a maior parte dos indivíduos acometidos não adoece, podendo, no entanto apresentar exames sorológicos reativos por toda a vida. Os indivíduos que evoluem para a doença em atividade podem apresentar febre, emagrecimento, anemia, queda de glóbulos brancos e plaquetas, além de aumento do fígado e do baço. Em área endêmica, uma pequena proporção de indivíduos pode apresentar quadro clínico leve, de curta duração, que freqüentemente evolui para cura espontânea (forma oligossintomática). Na apresentação clássica da enfermidade, caso não haja tratamento adequado, pode haver complicações graves como hemorragias e infecções bacterianas sobrepostas.

Diagnóstico
Quando se suspeita de leishmaniose tegumentar, indica-se biópsia da lesão e pesquisa de parasitas no material a ser examinado.

No caso de leishmaniose visceral, pesquisa-se o parasita no aspirado de medula óssea.

A pesquisa de anticorpos contra o parasita, através de exame de sangue, indica se houve contato, mas não confirma doença, já muitas pessoas que foram infectadas nunca vão adoecer.

É possível determinar a presença do mesmo através da pesquisa do DNA, que pode ser no sangue, medula óssea ou fragmento de pele.

Há ainda um teste cutâneo para avaliar a infecção, chamado Reação de Montenegro. Trata-se de aplicação de pequeno volume de substância sob a pele com leitura após 48 a 72 horas. É considerado positivo quando há o surgimento de nódulo de pelo menos 5 mm. Este teste não tem aplicabilidade nos casos de leishmaniose visceral, situação em que está negativo com freqüência.

Em casos de contato com cães parasitados, é indicado o exame clínico e o hemograma, quando for o caso.

Tratamento
Felizmente, as duas condições têm tratamento eficaz, com base em medicamentos injetáveis com ação antiparasitária.  Dependo do quadro clínico, é necessária a internação do paciente.