Herpes: um incômodo controlável

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Muitos pacientes com herpes nunca trataram adequadamente

Herpes: bolhas que viram feridas

Na prática clínica, percebo que muitos pacientes com herpes oral ou genital nunca trataram adequadamente

Os vírus Herpes simplex se classificam em 1 e 2, sendo que o primeiro está  relacionado com infecções orais e o segundo, com infecções genitais.

Na maioria das vezes, o quadro clínico se apresenta como várias bolhas com conteúdo líquido e claro, com as bases avermelhadas. Elas podem estar presentes nos lábios, na parte interna da boca, queixo e base do nariz. O primeiro episódio costuma ser o mais grave, com sintomas intensos e maior duração.

Na região genital, as lesões se assemelham as da boca quando estão externas. As lesões internas nas mulheres são de difícil diagnóstico. Pode haver a presença de ínguas na região inguinal, que indica a tentativa do organismo em conter a infecção.

Crianças pequenas podem apresentar a primeira infecção pelo herpes com estomatite aguda, com febre, bolhas na boca e ínguas.

Muitas vezes, percebemos apenas lesões abertas, arredondadas e mais profundas, que equivalem a bolhas já rompidas. É fundamental relatar ao médico como as lesões se iniciaram, nesses casos, para ajudar a diferenciar de outras lesões genitais semelhantes.

Estima-se que  cerca de 50% das pessoas estejam infectadas pelo vírus herpes 1 ou 2, mas a maioria nunca apresentou sintomas.  Estes vírus apresentam a capacidade de permanecer inativos no organismo, dentro de células do sistema nervoso periférico (gânglios nervosos), por tempo variável, causando lesão quando há algum fator predisponente. Abaixo, seguem fatores comumente relacionados a episódios de herpes genital:

  • Alterações na imunidade, como diabetes, uso de alguns medicamentos e infecção pelo HIV.
  • Exposição excessiva ao sol
  • Período menstrual
  • Estresse físico ou emocional
  • Traumatismos
  • Outras doenças
  • Cirurgias
  • Alimentação não balanceada

A lesão pode ocorrer uma única vez mas…..  pode ir e voltar várias vezes. A frequência de novos episódios é bastante variável de paciente para paciente, podendo ocorrer de um a mais de dez episódios em um ano.  Já tive pacientes que nunca tinham ficado totalmente livres de lesão,  emendando um episódio a outro.

Alguns pacientes não apresentam nenhum gatilho para o início das lesões e me questionam o por que de tantas lesões repetitivas. Há muitos fatores na interação do vírus com o organismo que desconhecemos, como receptores das células e interleucinas (substancias secretadas pelas células que regulam a imunidade), que torna algumas pessoas mais sensíveis ao vírus, sem que isso seja um problema sistêmico da imunidade.

A transmissão se dá por meio de contato íntimo, como beijos, saliva e relações sexuais. Raramente, recém-nascidos são afetados quando a mãe apresenta lesões ativas durante o trabalho de parto.

Vai e volta de lesões pode ter fim

Ninguém tem que conviver com lesões orais ou genitais todo mês. Existe o desconforto provocado pela própria lesão, há questões estéticas, sociais e `as vezes as lesões comprometem até mesmo o relacionamento.

Medicamentos aplicados diretamente na lesão não surtem efeito

O tratamento é baseado em medicamentos antivirais tomados por via oral, que encurtam o tempo das lesões e reduz os sintomas. Alguns pacientes se beneficiam com suplementação de um aminoácido: a lisina. No entanto, os estudos são controversos e o benefício parece ser maior na prevenção de lesões orais.

Se alguma doença de base for diagnosticada, ele deve ser tratada.

Abordagem nutricional também é válida, porque algumas deficiências de vitaminas e a alimentação não balanceada podem favorecer a elevada frequência das lesões.