Hepatites virais – Perguntas e respostas

  • O que causa a hepatite? Quais são os sintomas observados?

De maneira resumida, podemos dizer que a hepatite é a inflamação do fígado. Essa condição pode ter uma série de causas, entre elas alguns medicamentos, álcool, obesidade e agentes infecciosos, como vírus e bactérias. As hepatites de maior interesse na medicina são as provocadas por vírus. Dentre esses, destacam-se os vírus A, B e C, pela elevada prevalência em todo o mundo.

No caso das hepatites recém adquiridas (agudas), o sintoma mais característico é a cor amarelada da pele, chamada icterícia. Outros sintomas, como febre, náuseas, vômitos, dores abdominais e fezes claras também são freqüentes. Devemos ter em mente que a icterícia pode ser vista em outras doenças e pode não ser observada na hepatite aguda. Alguns pacientes não apresentam qualquer sintoma nessa fase.

  • Há cura? Há tratamento?

Para a hepatite aguda, a cura ocorre sem deixar sequelas e sem tratamento específico na grande maioria dos casos, se for a hepatite A. Se for hepatite B, a cura ocorre na grande maioria dos adultos mas, no caso de crianças, o vírus pode persistir por vários anos ou décadas, especialmente se o contato ocorrer nos primeiros dias de vida. A hepatite C torna-se crônica em cerca de 70% das pessoas que tem contato com o vírus C.

  • Então as crianças podem ser infectadas?

Sim. As crianças podem ser expostas ao vírus durante o trabalho de parto, no caso do vírus B ou durante a infância, por meio de água e alimentos contaminados, para o vírus A.  A transmissão do vírus C não ocorre no parto. Nenhuma das hepatites são transmissíveis pelo aleitamento

  • O que é hepatite crônica?

Com o passar do tempo, se o vírus persistir no organismo, o paciente pode desenvolver a hepatite crônica, que normalmente não apresenta sintomas nos primeiros anos, mas aumenta o risco para cirrose hepática e câncer de fígado ao longo do tempo.

A cronificação é vista com bastante freqüência na hepatite C, mas é incomum na hepatite B e não acontece na hepatite A.

Devemos ficar atentos às hepatites virais por causa da ausência de sintomas nos primeiros anos de infecção. O diagnóstico precoce evita a transmissão e proporciona maiores chances de tratamento.

  •  Todos que tem hepatite crônica vão apresentar cirrose e câncer de fígado?

Não. Para a hepatite C, a cada 100 pessoas infectadas, de 5 a 30 vão desenvolver cirrose, isso após mais de 20 anos, em média. Um proporção menor poderá apresentar o câncer de fígado. Essa evolução é muito variável, podendo ser mais rápida em determinados pacientes, como em obesos, alcoolistas e pessoas com HIV. Mulheres e crianças podem ter uma evolução mais lenta para cirrose.

A proporção de pacientes com hepatite B crônica que vão apresentar cirrose é semelhante à hepatite C, porém alguns pacientes podem ser curar espontaneamente, ao longo dos anos.

  •  Como ocorre a transmissão?

A transmissão, no caso da hepatite A, ocorre por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados.

Na hepatite B, a transmissão é principalmente por via sexual, embora possa ocorrer em exposições acidentais a sangue contaminado, durante o trabalho de parto, uso de agulhas e seringas contaminadas, entre outros.

Já na hepatite C, a via sexual parece ter uma importância menor. O contágio é mais comum em caso de exposição a sangue contaminado, transfusão de sangue, agulhas e seringas contaminadas, entre outros.

Qualquer objeto capaz de furar ou cortar a pele ou provocar sangramento, como alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dente e agulhas de tatuagem podem transmitir os vírus B e C, portanto devemos usar sempre nossos próprios objetos pessoais ou exigir que os mesmos sejam abertos no momento do uso e depois descartados.

  •  Quantos casos de hepatites virais existem no Brasil?

Em estudo recente divulgado pelo Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 40% dos brasileiros já tiveram contato com o vírus A. Para o vírus B e C, a prevalência encontrada foi 0,3 e 1,4%.

  •  Existem vacinas para a prevenção das hepatites? Elas estão disponíveis para a população?

Atualmente, temos vacinas contra as hepatites A e B, sendo necessárias duas doses para a primeira e três doses para a segunda. O Sistema Único de Saúde e as clínicas privadas disponibilizam as duas vacinas, no entanto apenas para alguns grupos prioritários. A vacina contra a hepatite B deve ser ministrada nos recém-nascidos ao nascer, e repetida após um e seis meses. Crianças e adolescentes não vacinados também podem receber a vacina contra hepatite B. A vacina contra a hepatite A deve ser ministrada aos 12 e 18 meses de vida. Existe ainda uma vacina que imuniza contra as hepatites A e B simultaneamente.

  •  Os adultos devem ser vacinados?

Sim, todos podem ser vacinados, caso não haja contra-indicações. Na rede pública, a vacina é restrita a grupos prioritários para que não haja desabastecimento. Mas antes de se vacinar, é melhor ser avaliado por médico de confiança, para avaliar a indicação da mesma e se serão necessários exames prévios. Às vezes, o adulto já está imune e desconhece isso, então não precisa vacinar.

  • E para a hepatite C? Existe vacina?

Infelizmente, ainda não existe vacina contra a hepatite C.

  •  Quem deve realizar exames para a detecção de hepatite?

Qualquer pessoa que já vivenciou uma situação de risco pode ser testada, mas alguns grupos devem ser priorizados, como gestantes, usuários de drogas, pessoas com problemas hepáticos, pessoas que viajam para locais de alta transmissão, pessoas que receberam transfusão de sangue.

Após os exames, avaliamos a necessidade de vacinação. Atualmente a orientação é testar todos as pessoas que nunca fizeram o exame. Ele pode ser incluído, por exemplo, dentro de exames de rotina.

  • Onde posso realizar os exames?

Os exames podem ser feitos em laboratórios privados ou públicos. Tem também os testes rápidos nos CTAs ou nos Postos de Saúde.

  •  Por que as gestantes são prioritárias?

Existe a possibilidade de transmissão da gestante portadora da hepatite B para o recém- nascido, durante o trabalho de parto, chamada de transmissão vertical. Essa medida pode ser reduzida significativamente com a adoção de medidas simples, como a administração de soro específico no recém-nascido. Testar todas as gestantes também é importante porque, na criança, a doença pode tornar-se crônica na grande maioria das infecções. E isso pode ser facilmente prevenido.

  • Existe tratamento para as hepatites crônicas?

Sim, há tratamento tanto para a hepatite B quanto para a hepatite C. Existe uma ampla gama de medicamentos disponíveis fornecidos pelo Sistema Único de Saúde, já que são muito caros.

  • O paciente pode ser curado?

Sim, na grande maioria das vezes no caso da hepatite C. O objetivo do tratamento sempre é a cura, mas às vezes o controle de multiplicação viral, sem a cura, é suficiente para estabilizar a doença. É o que buscamos na hepatite B. O tratamento da hepatite C dura de 3 a 6 meses e da hepatite B geralmente exige uso continuo do medicamento.

  • Quais são as medidas de prevenção das hepatites virais?

Para a hepatite A e B, a vacina é a medida mais eficaz. Além disso, devemos sempre ter cuidado com a qualidade da água que consumimos. Evitar água de procedência desconhecida, dando preferência para água tratada, é medida fundamental para não adoecer.

Já nas hepatites B e C, o uso regular de preservativos e de material estéril ou de primeiro uso fora do domicílio nos salões de beleza, ao fazer tatuagens ou colocar piercings reduz significativamente o risco.ALT TAG

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